Questão de tempo.

O smartphone, atualmente, apresenta um hardware tão poderoso que podemos compará-lo a um computador. Entretanto, ainda há arestas a serem aparadas. Duas, particularmente, considero fundamentais no impedimento da tão almejada unificação: sistema operacional e tela.

A evolução do hardware “mobile” é surpreendente; mas, por enquanto, é preciso entender que um smartphone é um smartphone e um computador é um computador. É bem verdade que nos smartphones temos os fatores: limitação operacional e desconforto visual; porém, existe o outro lado da moeda. É aqui que reside o paradoxo. Os fatores mencionados não impediram a popularização do smartphone. Pelo contrário, impulsionaram o desejo por essa tecnologia. A possibilidade de interação fácil, leve, e quase que inteligente dos sistemas operacionais desses “pseudo-celulares”, aliada a possibilidade de transportá-los no bolso resgataram a ideia de valorizar a experiência do usuário. E ainda despertou a criatividade dos cientistas da computação, que saem do papel de simples calculadoras para o de arquitetos de softwares inteligentes e interativos.

Ainda é preciso separar as tecnologias e seus alvos. Quanto a comunicação, o smartphone é imbatível. Basta um clique e em frações de segundo ele está pronto para o uso, com mais dois cliques e você já comunicou seu amigo sobre a reunião de sexta-feira. Você ainda carrega no bolso algo que tira excelentes fotos, filma, toca música e acessa a internet. Mobilidade e praticidade. A receita não tinha como dar errado. E não deu. Por outro lado, tente convencer um programador a escrever um código em um smartphone ou um autor a escrever um livro naquela tela. É impossível. Arquitetos, designers, engenheiros não encontram o Blender, o Inkscape ou o AutoCAD no Google Play. É preciso recorrer ao bom e velho computador. Ao enxergar desta forma, parece impossível uma fusão das duas tecnologias. Mas se você parar pra pensar, há pouco tempo (não mais que quinze anos) também era preciso comparar separadamente um walkman, uma câmera fotográfica e um celular.

A perseguição desse dispositivo, que una tudo isso, já começou há muito tempo. E o tablet não é isso. Aliás, respeitando os adeptos do iPAD, o tablet é uma tentativa de enganar um mercado mundial ávido por uma solução que supra a limitação da tela do smartphone. Para resumo de conversa: um smartphone que você não consegue levar no bolso menos a função de celular.

Li uma notícia que a Microsoft pretende unificar o sistema operacional Windows 8 para smartphones, tablets e computadores. Já é um começo. E um bom começo. Entretanto, o projeto que mais me anima é, sem dúvida, o Ubuntu for Android: “So users get the Android they know on the move, but when they connect their phone to a monitor, mouse and keyboard, it becomes a PC.*” Não abandona a interface amigável e simples de um sistema mobile, mas proporciona a possibilidade, de quando preciso, ter um sistema operacional robusto no bolso.

Longe de mim fazer previsões para o futuro desta tecnologia, mas não é difícil ver o caminho que ela já trilha. A série de processadores da Nvidia batizada com nomes de heróis é fantástica. Os processadores 22nm da Intel já são realidade. Armazenamento em nuvem é notícia antiga. Ou seja, o hardware, como sempre, pula na frente e já apresenta soluções que permitem esse sonho. Cabe ao software correr atrás.

* Assim, os usuários tem o android que eles já conhecem, mas quando conectar seu telefone a um monitor, mouse e teclado, torna-se um PC.

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