Conhece essa Distro? #1 | Trisquel

Em nosso primeiro artigo da série Conhece essa Distro?, vamos falar sobre a distribuição Trisquel, que é uma das poucas reconhecidas pela Free Software Foundation como uma distro Linux “Realmente Livre”. Mas como assim? Bom, para os que não sabem, a FSF é bem rigorosa no cumprimento das 4 liberdades dos Softwares Livres, de maneira que muitos softwares livres que utilizamos, não são considerados inteiramente livres, por ainda utilizarem plugins ou pacotes binários privados. O debate gira em torno da questão dos modelos de licença Open Source, já que nem todos respeitam as 4 liberdades no seu significado mais amplo. Nesta lista negra (softwares que não são efetivamente livres) você pode incluir softwares famosos, como o Ubuntu, o Fedora, o Firefox e até o próprio Kernel do Linux! Mas isso não é assunto para este artigo…

A escolha portanto de uma distro como essa, vai resultar mais de uma opção filosófica e política, do que técnica. O interessante é que a equipe do Trisquel tenta encarar o desafio de fazer um Sistema Operacional inteiramente livre e de qualidade, a despeito de tantos elementos proprietários que ainda cercam o dia-dia dos mais ferrenhos usuários Linux.

Instalação

Baixamos a .iso de instalação no site oficial do projeto. A versão 5.5 vem com 1.5 GB (pacote com outras linguagens além de inglês e espanhol). Logo no boot temos uma tela de inicialização bem comum, onde é pedida a linguagem:

Como vocês podem ver, não há Português do Brasil 😛 . Felizmente isso é resolvido mais pra frente. A tela de oferece, entre outras opções, entrar no modo live do cd com, ou sem recursos de acessibilidade. Estranho não ter a opção de instalar direto 😦 .Entramos então no sistema em live. Bom e útil como todo Live CD. Iniciamos o gerenciador de atualizações e nos deparamos com o instalador do Ubuntu, modificado para o Trisquel. Finalmente, podemos escolher o Português do Brasil. Os passos seguintes devem ser conhecidos pela maioria dos usuários, se você quiser ter uma ideia melhor de como fazer uma instalação com este gerenciador de instalação, siga um de nossos tutoriais de dual-boot :D.

Após uma elegante tela de login, vamos finalmente conhecer nosso sistema.

Gerenciamento de Pacotes

O Trisquel é uma distribuição baseada no Ubuntu. Portanto trabalha com pacotes executáveis .DEB. Logo, sempre que você quiser instalar algum aplicativo no seu Trisquel, não deve ter dificuldades em encontrá-lo, devido a popularidade desse empacotamento atualmente. Muitos dos nossos tutoriais para o Ubuntu aqui no blog devem funcionar com a Trisquel. Há diversos repositórios disponíveis que vão te garantir ter versões mais recentes dos seus aplicativos. Entretanto, é preciso ficar atento a versão do Ubuntu da qual ela foi baseada. Até o presente momento (Setembro de 2012), a versão mais recente é a 5.5, baseada no Ubuntu 11.10, portanto devemos sempre procurar por pacotes para essa versão.

Para usuários do terminal, o apt-get é sua ferramenta de instalação.

Aplicativos Padrão

Seguindo a linha do Ubuntu, a Trisquel traz aplicativos como o Totem, LibreOffice, Brasero, e jogos básicos. Os destaques vão para as seguintes novidades:

Exaile Player e OggConvert

O Exaile é um player de música completo, com ferramentas bastante interessantes. Obviamente, você pode instalar outro player se quiser. Outro complemento é OggConvert, uma ferramenta simples para converter arquivos de audio em .OGG, reforçando ainda mais a ideologia da distribuição de se trabalhar com formatos abertos, já que não serão possíveis reproduzir arquivos em .MP3 (mais sobre isso logo, logo).

Para completar a área de Multimídia, a Trisquel surpreende em trazer não só o Gimp (editor de imagens) como também o PiTiVi (editor de vídeos) instalado por padrão.

Central de Programas Personalizada

A aplicativo Adicionar/Remover Aplicações é uma espécie de versão personalizada do Synaptic, antigo gerenciador de programas do Ubuntu (e também muito similar a do Fedora). Seguindo a ideia de marcar diversas alterações para depois executá-las, a central é bastante eficiente.

Central de Configurações do Sistema

Com algumas opções a mais do que a do Ubuntu, a central tem como destaque o aplicativo gnome-tweak-tool instalado por padrão (sobre o nome de Configurações avançadas), que é essencial para se personalizar um pouco mais deste ambiente gráfico (mais sobre isso na sessão de Ambiente Gráfico). Você não verá aqui o Jockey, aplicativo que detecta drivers terceiros como driver de placa de vídeo e modem. Isso é para impedir o uso de drivers proprietários, portanto, é preciso ter certeza (ou torcer) de que seu hardware será suportado pelo sistema por padrão, utilizando os drivers open-source disponíveis.

Navegador de Internet… quase um Firefox!

Acalme-se, o navegador dele é o Firefox, mas com algumas pequenas modificações feitas pela equipe do Trisquel, rebatizando-o de Abrowser (criativo não?). Ele também vem com o DuckDuckGo como ferramenta de pesquisa padrão.

Nada de Flash, Java ou MP3

Como parte do compromisso em ser efetivamente livre, a Trisquel não traz em seus repositórios o flash, java, mp3 e outros plugins proprietários, como é possível adicionar no Ubuntu durante a instalação do sistema. Mas ele traz uma alternativa ao flash, o Gnash, aplicativo que reproduz arquivos .SWF e que executa de maneira embutida do navegador Abrowser os vídeos em flash. Meus testes no YouTube não foram muito satisfatórios para ser sincero. Ele se apresentou um pouco mais lento que o normal e praticamente não executou vídeos em HD. Também são perdidas algumas funcionalidades como comentários nos vídeos. Uma outra saída que pode ser adotada (e que espero, um dia seja a definitiva para todos) é a utilização da versão em HTML5 do Youtube.

Espere um pouco… Plugins,  Firefox… e quanto ao Kernel?

Eeeeeeexatamente, já que nenhum se adéqua às definições de Software Livre da FSF, também o Kernel do Linux não podia estar nessa distribuição. E não está. No lugar está o Linux-libre-kernel, uma espécie de fork sem qualquer possibilidade de pacotes binários não abertos, como ocorre com alguns firmwares.

Ambiente Gráfico

Um Gnome3 windows-like

A Trisquel vem por padrão com o Gnome 3.2, ou seja, com o GTK3, mas ao contrário da maioria das distribuições recentes, optou por ficar com o Gnome Classic. Creio que há duas razões pra isso. A primeira, é a resistência que ainda há por parte de alguns usuários para as drásticas mudanças do Gnome-Shell. A segunda, é que há muitos drivers de placa de vídeo que não suportam o mesmo, e portanto se torna mais difícil garantir a existência de drivers open-source que suportem os efeitos gráficos dele. A adoção do Classic permitiu que a retirada do Jockey não trouxesse grandes prejuízos.

Mas o Gnome Classic que você verá foi bem trabalhado pela equipe da Trisquel. Apesar de o KDE ser muito mais adequado pra isso, eles conseguem fazer uma simulação de Windows Seven em alguns aspectos. Por questões pessoais isso não me agrada muito, mas pra algumas pessoas, torna mais simples a migração e “simplesmente funciona”, sem riscos de bugs como as vezes presenciamos em ambientes gráficos mais pesados.

Portanto se você esperava efeitos de mais, este não é o caso, mas a aparência padrão é agradável. O tema GTK das janelas é semelhante ao famoso Elementary, mas com mais azul, seguindo o esquema de cores da logo. Os ícones são bonitos, embora não haja ícones simbólicos monocromáticos para o painel.

Mas é possível instalar o Gnome Shell?

Sim, embora não compense muito. Por ser uma distribuição derivada do Ubuntu ( e até o momento um Ubuntu desatualizado), haverão algumas incompatibilidades e você provavelmente não poderá ter a versão mais recente do Gnome Shell. É claro que são apenas alguns comandos (e creio somente dois pacotes) para se finalizar o serviço, mas a experiência com o Gnome Shell não será a mesma de uma distribuição que traz ele por padrão.

Um dos exemplos mais claros sobre isso é o próprio gnome-tweak-tool, que eu citei anteriormente. A opção de se instalar extensões nele não vem habilitada na Trisquel, o que significa que será necessário pegar a versão compatível com o Ubuntu 11.10 para ter esta função.

Enfim… é Livre, mude como quiser!

Como considerações finais sobre a distribuição Trisquel eu poderia dizer que ela traz alguns fatores positivos e outros negativos, mas tudo muito bem justificado por seus princípios. Portanto, se você realmente quiser experimentá-la, não há nada que um pouco de pesquisa e paciência não te permita mudar. Afinal, é Livre, é Linux, e neste caso, ainda é derivada de uma das mais famosas distribuições atualmente. Instalar programas, alterar configurações padrão, modificar o ambiente gráfico, tudo isso pode ser feito se você tiver interesse. Até mesmo a questão dos plugins pode ser contornada. Mas o que eu considero que deva ser pensado é se realmente é interessante buscar mudar isso. Afinal das contas, este é o grande diferencial dela, poder acreditar que é possível sobreviver com ferramentas 100% livre. Se for pra instalar plugins e drivers proprietários… há outras distribuições com isso já pronto.

Conheça mais sobre a distribuição no site oficial e visite também o fórum da Trisquel, onde a comunidade demonstra ser bem ativa e interessada em ajudar. Talvez uma desvantagem seja o fato do suporte em Português ainda ser quase zero, mas o conteúdo em inglês e espanhol é bastante extenso:

http://trisquel.info/en/forum

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5 thoughts on “Conhece essa Distro? #1 | Trisquel

  1. Pingback: Conhece essa Distro? – Introdução « ubuntugk

  2. O Trisquel suporta exclusivamente software livre, mas abre AVI, MP3, MP4, MOV, RMVB e todos os codecs *patenteados*. O software que executa é livre (Gstreamer – utilizado no totem, exaile, rhythmbox…), assim como pode instalar o VLC ou outro que quiser. Eu até preferiria que não executasse, mas é software livre, mas sempre converto tudo em OGG e WebM. Você deveria ter feito o teste antes do review. Abriria todos os seus arquivos perfeitamente.

    • Ícaro, muito obrigado pela correção! Quando fiz o artigo em minha máquina virtual não cheguei a testar a questão dos codecs de áudio e vídeo, só o plugin do gnash mesmo. Vou corrigir assim que puder!

  3. A Trisquel é uma exelente distro, eu diria que seu principal “problema” não é exatamente um problema dela em si, mas sim do modelo de mercado que nos obriga a utilizarmos código proprietário.

    • Concordo Tiago! Ela é uma das que se propõe a desafiar este modelo, mesmo sabendo que a adesão pode não ser tão fácil para nós que estamos acostumados padrões fechados.

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